quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
P.L.B.
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
O poder paralelo
Conheça a estrutura de poder paralelo dentro dos presídios baianos
Conhecido como “Gringo”, Leandro da Conceição Santos Fonseca, de 25
anos, é apontado como líder da facção Bonde do Maluco (BDM) em Itinga.
Preso, Gringo continuou a exercer o seu poder de dentro da
penitenciária. Ele, que é investigado pela 27ª Delegacia Territorial
(DT) como autor ou mandante de metade dos crimes ocorridos na área em
2016, ocupa o papel de "frente" dentro do sistema prisional.
O exemplo de Gringo mostra como o poder paralelo dentro das cadeias
baianas se estabeleceu de forma organizada. De acordo com o Sindicato
dos Servidores Penitenciário da Bahia (Sinspeb), o líder das
organizações criminosas dentro dos presídios é conhecido como "frente".
Além dele, existem os “soldados” – que prestam a segurança do “frente” e
os “couro de rato, ou fariseus”, que fazem o “trabalho sujo” dos
grupos.
Segundo o Sinspeb, o "frente" é um preso que, com a ajuda de outros
apenados, se estabeleceu como líder. Para o "frente", são dados poderes
informais de gestor dentro das unidades.
"O 'frente' detém o poder de vida e de morte sobre os demais presos.
Mais grave ainda, através do seu exército armado e drogado, pratica todo
e qualquer crime dentro das unidades prisionais cotidianamente, citamos
como exemplo: sequestros, extorsões, estupros, agressões,
espancamentos, escravidão e assassinato. A maioria desses crimes são
denunciados por vítimas que por não mais suportarem as agressões, se
arriscam em um último gesto de desespero, tendo em vista que conhecem os
riscos decorrentes da denúncia”, afirma, ao completar:
Foto: Divulgação / Sinpesb - Soldados
fazem proteção do "Frente"
“É comum internos ‘passarem o portão’ que é o ato de fugir do convívio
dos pátios, isso acontece quando o preso vê a oportunidade de pedir
socorro aos agentes, normalmente no horário do fechamento da cadeia,
entretanto não se limita a horários, pois passam o portão a qualquer
momento oportuno. Isso acontece por não terem mais como pagar aos
‘frentes’ pela sua sobrevivência ou mesmo convivência”, diz o sindicato,
em documento entregue ao Bocão News.
Como toda estrutura de poder, o “frente” precisa de apoio. Quem fica
responsável por fazer a proteção do “frente” são os “soldados”. Estes,
geralmente, andam armados e garantem que o chefe não seja atingido por
rivais.
O trabalho de executar inimigos, assumir apreensões de drogas, armas e
celulares fica por conta do “couro de rato”, também conhecido como
“fariseu”. Este preso, segundo o Sinspeb, é mais pobre e executa esses
“serviços” em troca de dinheiro e proteção nas unidades.
MAPA DE FRENTES - A Sinspeb revelou um verdadeiro mapa
dos “frentes”. Segundo o sindicato, em cada ala de cada unidade
prisional baiana existe um “frente”, que está sob autoridade de um líder
maior ou chefe dos frentes, a exemplo da facção, Comando da Paz, “CP”,
em que os “frentes” obedecem a Cláudio Campanha, líder geral desta
facção. Campanha está preso, mas não há informações da unidade prisional
onde ele está. Outro exemplo é o de Genilson Lima da Silva (Perna);
líder da facção Caveira, que, segundo o Sinspeb está presente em todas
unidades prisionais do estado com seus “frentes”, também recebendo
ordens de “Perna”. Também não há informações sobre a unidade em que ele
está preso.
Segundo o Sinspeb, a facção de maior quantidade de internos é o BDM.
O líder da CP no pátio do Presídio de
Salvador ameaçando um rival da BDM que está no "seguro", ala superior
destinada aos estupradores, mas que estão sendo colocados rivais dá CP
por conta da reforma do prédio anexo.
AMEAÇAS - Segundo o sindicato, comumente os agentes
tentam disciplinar os presos, mas são "encurralados" e sofrem pressão
dos apenados.
"Surgem questionamentos como 'seu agente, o senhor mora em tal lugar,
não é?', ' na rua tal, é isso mesmo?'. Isso é uma forma de intimidar",
aponta o sindicato.
O Bocão News procurou a Seap, no entanto, não recebeu
resposta sobre os questionamentos. Prepostos da secretaria informaram
que os esclarecimentos só seriam dados nesta terça-feira (17).
sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
O preço de ser Policial Militar...
Salvador
'Não vou aguentar', disse policial antes de morrer em assalto a ônibus
Jaílson César
dos Santos Mendes, 43 anos, foi baleado no rosto ao reagir ao assalto e
morreu a caminho do Hospital Geral Roberto Santos
13/01/2017 11:11:29
"Eu não vou aguentar, eu vou morrer", disse o policial Jaílson César dos Santos Mendes, 43 anos, após ser baleado em um assalto a ônibus no início da manhã desta sexta-feira (13), na altura do bairro do Imbuí.
Ao lado dele, o motorista do coletivo, do
Consórcio Integra, tentava acalmá-lo: "Não, você não vai morrer não.
Fique firme, abra os olhos, você não vai morrer, você vai aguentar",
contou o supervisor do consórcio, que preferiu não ser identificado. O
policial estava certo. Ele não resistiu e morreu antes de dar entrada no
Hospital Geral Roberto Santos (HGE).
Policial estava no ônibus a caminho do trabalho, na 53ª CIPM, em Mata de São João
|
Jailson
era lotado na 53ª Companhia Independente da Polícia Militar (Mata de
São João), onde estava havia 15 anos. Equipes da Força-Tarefa da
Secretaria da Segurança Pública que investiga mortes de policiais já
ouviram seis testemunhas que presenciaram a morte do PM. Testemunhas
dizem que dois homens, um deles aparentando ser ainda adolescente,
entraram no coletivo na região do Iguatemi e anunciaram o assalto na
Avenida Paralela.
“Segundo as
testemunhas, no momento que o roubo foi iniciado o militar reagiu e
acabou atingido por disparos de arma de fogo. Chegamos no local do crime
às 7 horas, pouco depois da ocorrência do fato, e obtivemos importantes
detalhes que certamente nos ajudarão na elucidação do caso”, explicou o
coordenador da Força-Tarefa, delegado Odair Carneiro.
Sogra da vítima, a autônoma Rosimeire
Augusto dos Santos, 52 anos, conta que o policial era casado havia dez
anos com a filha dela e tinha um filho de 7 anos. "Está doendo muito,
ele era um menino do bem, um pai de família, um policial pacato, cheio
de amigos e colegas que agora estão despedaçados. Era como um filho para
mim, um homem exemplar", lamentou.
A
família recebeu a notícia pela comandante da 53ª companhia, onde o
policial trabalhava, por volta das 6h20. "Ele estava indo para o
trabalho, não tinha carro", informou a sogra. Familiares da vítima como o
pai, um tio policial, esposa e irmãos estiveram no hospital. Eles
estavam bastante abalados e não quiseram falar com a imprensa. "Era um
policial tranquilo, com certeza não esperava passar por isso um dia. Nem
parecia que era policial, era bem tranquilo", completou a sogra.
Em nota, a Polícia Militar lamentou a morte
do soldado. “É muito doloroso perder um irmão de farda que, mesmo antes
de assumir o serviço, colocou em risco a própria vida para defender a
sociedade. A corporação está enlutada”, lamentou o comandante geral da
PMBA, coronel Anselmo Brandão. Ainda nção há informações sobre o dia,
horário e local do enterro da vítima
Assinar:
Comentários (Atom)