Seg
, 04/02/2013 às 17:00
Mototaxistas protestam contra veto de circular no Carnaval
Cerca de dois mil (segundo o sindicato da categoria) mototaxistas
fizeram uma mobilização nesta segunda-feira, 4, partindo do Largo do
Retiro em direção ao centro da capital. Os trabalhadores protestaram em
razão de uma determinação da Prefeitura para que a Superintendência de
Trânsito e Transporte de Salvador (Transalvador) não permita a
circulação das mototáxis durante o Carnaval.
O movimento percorreu a Fazenda Grande do Retiro, Largo do Tanque,
Cidade Baixa, Comércio e Ladeira da Montanha, fazendo paradas em pontos
estratégicos e informando à população sobre o motivo do protesto.
Segundo o presidente do Sindicato Estadual dos Mototaxistas, Osvaldam
Tupyassu, a prefeitura não fez uma convocação concreta e os
motociclistas ficaram sabendo que seriam impedidos de trabalhar por
comunicados via imprensa: "Eles (a prefeitura) não fizeram uma
convocação. Não aceitam que nós circulemos no Carnaval por estar nos
tratando como taxistas clandestinos".
De acordo com Tupyassu, a profissão é reconhecida legalmente em nível
nacional, porém em Salvador, com mais de 6 mil mototaxistas já
circulando, ainda não foi regulamentada. "No Brasil somos reconhecidos
como taxistas, mas no município a questão ainda está para ser
conversada. A nossa luta é exigir a regulamentação e que comecemos já
durante o Carnaval, o que não está sendo atendido", reclamou.
O mototaxista Augusto Santos queixa-se da falta de atitude da
prefeitura em viabilizar a regularização da profissão. Segundo ele, em
73 municípios baianos (como Valença, Camaçari e Feira de Santana) os
trabalhadores são classificados como taxistas e em Salvador, ainda são
classificados de forma ilegal.
Outra reclamação de Santos é que o órgão de trânsito na cidade de São
Paulo organizou um treinamento gratuito para motoboys (motociclistas
servidores de empresas privadas que transportam produtos) e para
mototaxistas. Em Salvador, o Detran vai ministrar um curso custeado pelo
próprio trabalhador:
"Não é justo que em São Paulo o município financie um curso para
motoboys e em nossa cidade os mototaxistas tenham que pagar para ter a
liberação do Detran".
Prefeitura fecha o cerco - Independente da
regulamentação nacional, que reconhece a profissão de mototaxista, em
Salvador o serviço ainda não é regulamentado. Mesmo para os
trabalhadores organizados em cooperativas e com um sindicato organizado,
a função não é registrada na prefeitura e o transporte é considerado
ilegal.
De acordo com o secretário municipal de Urbanismo e Transporte, José
Carlos Aleluia, a Transalvador e a Polícia Militar fiscalizarão o
trânsito durante o Carnaval e aplicarão as sanções para os que
desrespeitarem a legislação.
"Pela segurança das pessoas, a lei será cumprida e não será permitido
qualquer tipo de transporte clandestino durante o Carnaval", afirmou o
secretário municipal de Urbanismo e Transporte, José Carlos Aleluia,
durante a entrevista coletiva sobre os preparativos da festa popular, no
início da tarde desta segunda, no Barravento.
"A nossa recomendação é que a população utilize os táxis e os ônibus
nos deslocamentos para a festa". Por serem regulamentados e registrados
na prefeitura, segundo ele, são veículos mais seguros.
"No caso de qualquer problema com táxis e ônibus, é possível
identificar imediatamente os responsáveis. Isso não ocorre com o
transporte clandestino, que, sem nenhum controle do poder público,
oferece alto risco aos usuários", finalizou o secretário.